Ao descobrir que o plano editorial do Jornal Design Serra foca em conteúdos relevantes so- bre saúde, bem-estar, estilo de vida, arquitetura e negócios, fiquei entusiasmado. Desde então, percebi que poderia contribuir em várias dessas áreas, especialmente no campo dos negócios. Neste artigo, ousarei ampliar meus horizontes editoriais: continuarei explorando o universo dos vinhos, mas com uma abordagem que entrelaça negócios e saúde. São temas fascinantes que, juntos, proporcionam uma leitura agradável e muitas vezes indispensável.
Sabemos que há uma dúvida constante so- bre qual seria o limite seguro para o consumo de bebidas alcoólicas, sem prejudicar a saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que até mesmo pequenas quantidades de álcool aumentam o risco de doenças graves, como cân- cer de mama e esôfago. No entanto, uma recente pesquisa conduzida pela Universidade de Har- vard apresenta conclusões que divergem dessas orientações, ressaltando a necessidade de um olhar crítico sobre diferentes estudos.
Esse estudo analisou os efeitos do consumo de álcool em mais de 300 mil pessoas ao longo de 60 anos. Os resultados indicam que “os riscos são mínimos em níveis baixos de consumo e a diferença entre beber duas doses por dia e não consumir álcool é insignificante”. Além disso, os pesquisadores destacam que “os dados não sus- tentam declarações amplas sobre os efeitos do consumo moderado de álcool na saúde humana”. Trabalho com vinhos há mais de 20 anos, mas não estou aqui para defender ou criticar o con- sumo de bebidas alcoólicas. A proposta principal deste texto é trazer uma perspectiva de novas oportunidades de negócios para os produtores de vinho, focando na adaptação às tendências de redução no consumo de álcool e na crescente valorização da saúde. Esses comportamentos são especialmente fortes entre os consumidores das
novas gerações.
A adaptação às novas tendências de con- sumo e às preferências dos consumidores não é uma opção, mas uma necessidade para a sobrevivência dos produtores de be- bidas, especialmente no caso dos vinhos. Esta bebida oferece benefícios à saúde quando consumida em doses adequadas, e é vital que os produtores estejam atentos a essas transformações e considerem estraté- gias inovadoras para se manterem relevan-
tes no mercado.
Marcas de vinhos renomadas, como Yellow Tail, Lindeman’s, Familia Torres, Barefoot e Con- cha y Toro, estão lançando produtos que, embora considerados “inovadores”, atendem às prefe- rências dos consumidores modernos. Essas es- tratégias têm gerado resultados impressionantes no mercado. No entanto, muitos produtores bra- sileiros ainda não perceberam essa tendência, o que pode colocar sua competitividade em risco a médio e longo prazo.
Um número crescente de pessoas tem criti- cado vinhos com zero álcool ou com 0,5% de álcool. No entanto, há também uma parte signi- ficativa da população que, há muito tempo, re- clama sobre o aumento da graduação alcoólica nos vinhos, que passou dos habituais 12,5% para níveis superiores a 14% ou 14,5%.
Essa polarização de opiniões reflete as dife- rentes preferências e necessidades dos consu- midores modernos, o que fomentou grandes em- presas a criarem um nível de produto, que chama muito a atenção – pois estão em um nível médio – composto por vinhos tintos, brancos e roses com níveis de álcool entre 6 e 9%, a grande maioria com 8% de álcool.
Com todas essas mudanças no cenário do con- sumo, os produtores brasileiros de vinho estão diante de uma oportunidade incrível. Para se des- tacarem no mercado, é essencial que considerem as preferências das novas gerações, que buscam opções com menor graduação alcoólica. Ao abra- çar essa tendência, os produtores não só atende- rão a uma demanda crescente por bebidas mais saudáveis, mas também poderão se reinventar e se posicionar de forma inovadora. O futuro do vinho no Brasil promete ser empolgante, desde que estejamos prontos para ouvir e responder aos anseios dos consumidores modernos.
Fabiano Maciel | CEO Interbev Business Strategy
Jornal Serra Design – Outubro/2024
Créditos:
Imagem que ilustra a matéria: Leandro Furtado – Lex Studio